29.09.26
UNEM participa da 9ª Conferência NovaCana e debate perspectivas para o avanço do etanol de milho
Representantes da entidade discutiram o crescimento das biorrefinarias, a abertura de novos mercados para DDG/DDGS e os desafios do setor

Amaury Pekelman – Presidente-Executivo da UNEM
A União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) participou nesta segunda-feira (28), do primeiro dia da 9ª Conferência NovaCana, em São Paulo. A entidade foi representada pelo seu presidente-executivo, Amaury Pekelman, que integrou o painel 1 “Regras do jogo: políticas públicas e estratégias para o ciclo do setor”, e pela diretora de Relações Internacionais e Comunicação, Andréa Veríssimo, que palestrou no painel 3 “O que esperar com o avanço do etanol de milho”.
Os debates colocaram em perspectiva a transformação pela qual passa o mercado brasileiro de etanol de milho, com destaque para o crescimento acelerado do setor, a entrada de novos players e os impactos dessa expansão sobre os mercados de combustíveis, proteína animal, logística e energia. Entre os temas discutidos estiveram ainda a redução da sazonalidade dos preços do etanol, o potencial de expansão dos produtos de biorrefinaria DDG/DDGS e os gargalos logísticos que acompanham o avanço da produção.
“O avanço do etanol de milho já é uma realidade e traz uma nova dimensão para a bioenergia brasileira. Para que esse crescimento se mantenha de forma sustentável e competitiva, precisamos de um ambiente regulatório previsível, políticas públicas de longo prazo e condições que permitam às biorrefinarias continuar investindo e ampliando mercados. Estamos falando de uma indústria que mudou rapidamente de escala e passou a ocupar um espaço muito maior na economia brasileira. A comunicação precisa acompanhar esse movimento, ajudando a mostrar essa nova realidade para a sociedade, para o mercado e para os formuladores de políticas públicas”, destacou Amaury Pekelman.
Para a UNEM, o rápido crescimento observado na última década representa uma transformação estrutural na matriz de bioenergia brasileira, com impactos que vão muito além da produção de biocombustível. O modelo de biorrefinaria permite ampliar o aproveitamento do milho, gerando simultaneamente etanol, proteína para alimentação animal, óleo de milho e outros produtos de maior valor agregado.
Outro ponto central do debate foi o avanço dos grãos de destilaria DDG/DDGS, produtos de biorrefinaria que vêm ampliando sua presença nos mercados brasileiro e internacional. A recente abertura ao mercado chinês e o início das exportações em 2026 já produziram resultados expressivos. Entre janeiro e agosto, a China recebeu 369,4 mil toneladas de DDG/DDGS brasileiros, movimentando US$ 87,4 milhões e respondendo por 44,6% de todo o volume exportado pelo Brasil no período. O desempenho consolida o país asiático como o principal destino dos grãos de destilaria brasileiros e evidencia o potencial de internacionalização das biorrefinarias de milho.
“Foi uma honra participar, pela primeira vez, do NovaCana, um evento de grande tradição no setor sucroenergético. Tivemos a oportunidade de apresentar a trajetória da indústria de etanol de milho no Brasil, desde suas origens até os fatores que explicam seu crescimento expressivo, sustentado por uma cultura agrícola intermediária já consolidada no país, o milho de segunda safra. Reforçamos que o etanol de milho e o etanol de cana são complementares e compartilham importantes sinergias: contribuímos para a regularidade do abastecimento durante a entressafra e levamos a produção de biocombustíveis a regiões que antes não contavam com essa atividade. O público demonstrou grande interesse pelos produtos das biorrefinarias de milho, em especial o DDG/DDGS, pela contribuição do setor para a descarbonização e pelo avanço da nossa agenda de internacionalização”, destacou Andréa Veríssimo.
Expansão exige infraestrutura e novos mercados
A evolução do etanol de milho também traz desafios relacionados à infraestrutura. O crescimento da produção precisa ser acompanhado pela expansão da capacidade de armazenagem, transporte e distribuição, especialmente em regiões onde a atividade vem se consolidando.
A abertura de novos mercados, no Brasil e no exterior, ganha importância estratégica. Para a UNEM, a internacionalização do setor é parte fundamental da próxima etapa de desenvolvimento das biorrefinarias nacionais, especialmente para os coprodutos e para novas aplicações do etanol.
Sobre o evento
Realizada nos dias 28 e 29 de setembro, no Tivoli Mofarrej, em São Paulo, a Conferência NovaCana reúniu representantes de empresas, instituições financeiras, associações setoriais, órgãos públicos e especialistas para discutir os principais movimentos do mercado de açúcar, etanol e bioenergia. A programação do primeiro dia incluiu, além do painel sobre etanol de milho, debates sobre políticas públicas, E32 e perspectivas para o E35, dinâmica de oferta e demanda e os fundamentos do mercado de etanol.
Assessoria de Comunicação – UNEM