04.08.26

Transição energética da navegação mobiliza governo e indústria em Brasília

Evento promovido pela CNI reuniu autoridades, indústria e setor de biocombustíveis para discutir o papel do etanol na descarbonização do transporte marítimo.

 

Na manhã desta terça-feira (4), a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) participou do Diálogo sobre a Descarbonização do Transporte Marítimo, Competitividade e Sustentabilidade da Indústria Brasileira, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ministério da Defesa e com apoio institucional da Bioenergia Brasil. O encontro reuniu autoridades do governo federal, da Marinha do Brasil, representantes da indústria, produtores de biocombustíveis, empresas de navegação e setores exportadores para discutir um modelo de transição energética gradual e racional, capaz de reduzir as emissões do transporte marítimo sem comprometer a competitividade da economia brasileira.

A abertura contou com a participação do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; do comandante da Marinha do Brasil, almirante Marcos Sampaio Olsen; do diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz; e do vice-presidente do Conselho de Agroindústria da CNI, Pedro Roberto Nogueira. Também participaram representantes dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Minas e Energia (MME), das Relações Exteriores (MRE) e da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A UNEM foi representada por seu presidente-executivo, Amaury Pekelman, que acompanhou os debates ao lado de empresas associadas à entidade. A Inpasa esteve presente com seu presidente, Éder Odvar Lopes, e também integrou a programação técnica por meio de seu vice-presidente de Trading, Gustavo Mariano, que atuou como palestrante em um dos painéis. Já a FS Fuel Sustainability contou com a participação do seu diretor, Eduardo Mota, reforçando a participação do setor nas discussões promovidas durante o encontro.

Ao longo das discussões, especialistas defenderam que o Brasil reúne condições para liderar a descarbonização da navegação internacional, aliando capacidade de produção de etanol e outros biocombustíveis, conhecimento tecnológico e potencial de expansão da oferta. Também destacaram a necessidade de uma regulamentação internacional que reconheça os benefícios ambientais dos combustíveis renováveis e de uma atuação coordenada entre governo e iniciativa privada nas negociações da Organização Marítima Internacional (IMO).

Em sua apresentação, Gustavo Mariano afirmou que a consolidação desse mercado dependerá da definição de regras claras e previsíveis. Segundo ele, o Brasil tem potencial para ampliar significativamente a oferta de etanol destinada ao transporte marítimo, impulsionando investimentos, geração de empregos e expansão da capacidade produtiva. Mariano também destacou que centenas de embarcações já estão aptas a operar com etanol, demonstrando que a tecnologia está pronta para avançar em escala comercial.

“O transporte marítimo pode abrir uma frente importante para os biocombustíveis. A regulamentação da IMO já coloca esse tema na agenda global, enquanto o Brasil avança em suas próprias discussões. O etanol precisa ser reconhecido como uma alternativa real para o setor, com produção em escala, cadeia estruturada e capacidade de reduzir emissões. Regras claras e economicamente viáveis serão decisivas para que o Brasil avance na descarbonização do setor sem abrir mão de competitividade”, afirmou Mariano.

“O etanol de milho amplia a capacidade do Brasil de atender à crescente demanda mundial por combustíveis de baixa intensidade de carbono. A transição energética da navegação representa uma oportunidade para que o país consolide sua liderança em soluções renováveis, combinando inovação, escala de produção e competitividade. Com um ambiente regulatório adequado, o Brasil tem todas as condições de se tornar um fornecedor estratégico de combustíveis sustentáveis para o transporte marítimo internacional”, destacou Eduardo Mota, diretor de Relações Institucionais da FS Fueling Sustainability.

As discussões convergiram para um ponto comum: a tecnologia para utilização do etanol na navegação já existe, mas sua expansão dependerá da evolução do marco regulatório internacional, da criação de mecanismos de financiamento e da coordenação entre indústria, governo e organismos multilaterais. Nesse cenário, os biocombustíveis brasileiros despontam como uma alternativa concreta para reduzir as emissões do transporte marítimo sem comprometer a competitividade das cadeias exportadoras.

 

Assessoria de Comunicação – Unem
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