25.05.26

Maio Marítimo: etanol ganha espaço na navegação global e amplia o potencial estratégico do Brasil

IMO, WinGD e Maersk impulsionam o etanol como alternativa de baixo carbono para o transporte oceânico

 

 

O etanol brasileiro começa a avançar em uma nova fronteira internacional: o transporte marítimo. Neste mês de maio, anúncios envolvendo grandes companhias globais e organismos internacionais reforçaram o papel do biocombustível como alternativa para a descarbonização da navegação oceânica e ampliaram as perspectivas para o setor de etanol de milho no Brasil.

No início de maio, a Organização Marítima Internacional (IMO) reconheceu oficialmente os parâmetros de intensidade de carbono do etanol de milho brasileiro para uso no transporte marítimo. A medida representa um avanço importante para o setor, ao permitir que o biocombustível passe a integrar, de forma regulamentada, as alternativas de baixa emissão consideradas pela navegação internacional.

A aprovação abre caminho para que o etanol de milho produzido no Brasil possa ser utilizado oficialmente como combustível marítimo de baixa emissão, em um momento em que armadores e empresas globais buscam alternativas para reduzir emissões e atender metas internacionais de descarbonização.

Na mesma direção, a suíça WinGD anunciou as primeiras encomendas do mundo de motores marítimos movidos predominantemente a etanol para navios de longo curso. Os equipamentos serão instalados em dois mineraleiros da chinesa Shandong Shipping, que operarão em contratos de longo prazo para a brasileira Vale.

Segundo a companhia, os motores foram desenvolvidos a partir da tecnologia já utilizada em embarcações movidas a metanol, adaptada para o uso do etanol como combustível principal. A previsão é de que os navios entrem em operação a partir de 2029. O anúncio é considerado um marco para o setor marítimo internacional, segmento responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.

De acordo com estudos citados pela própria Vale, o uso do etanol pode reduzir em aproximadamente 90% as emissões em comparação ao óleo combustível marítimo convencional, dependendo da origem e do ciclo de vida do combustível.

Outro movimento relevante veio da dinamarquesa Maersk, uma das maiores companhias de navegação do mundo. A empresa informou ter concluído, no primeiro trimestre de 2026, a primeira viagem utilizando 100% etanol em um navio equipado originalmente para operar com metanol.

Os testes começaram em 2025, inicialmente com misturas de 10% e 50% de etanol, até alcançar a operação integral com o biocombustível. Segundo a Maersk, o resultado demonstra que o etanol pode ampliar as alternativas de combustíveis de baixa emissão para a frota marítima internacional.

A companhia já vinha avaliando o uso de etanol brasileiro em seus testes, destacando a competitividade e a sustentabilidade da produção nacional. Em 2025, executivos da empresa afirmaram que uma adoção mais ampla do combustível pelo setor marítimo poderia gerar uma demanda global adicional de até 50 bilhões de litros de etanol por ano.

Os movimentos deste mês levantam a bandeira do Brasil no mastro da transição energética global. Além do crescimento da produção nacional de etanol, especialmente a partir do milho, o país reúne vantagens competitivas como disponibilidade de matéria-prima, expansão da capacidade industrial e experiência consolidada em produção e distribuição de biocombustíveis em larga escala.

A UNEM comemora o avanço do etanol no modal marítimo, com perspectiva de diversificação de mercados, expansão das exportações e fortalecimento do papel do combustível brasileiro nas agendas internacionais de descarbonização.

Fontes:

 

 

Assessoria de Comunicação – Unem

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