23.02.26
Início de exportações de DDG/DDGS para a China marca novo avanço do etanol de milho brasileiro
Abertura de mercado resulta de articulação entre setor produtivo, governo e ações de promoção comercial, fortalecendo a bioeconomia do milho

O Brasil deu um passo histórico ao iniciar as exportações de grãos secos de destilaria (DDG/DDGS) para a China, um dos maiores mercados globais de nutrição animal. O movimento marca a entrada efetiva do país em um cenário que, até recentemente, era amplamente dominado por fornecedores norte-americanos.
A conquista do mercado chinês para o DDG/DDGS nacional é resultado de um trabalho institucional coordenado, que envolveu o Governo Federal — por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) — além de diálogos técnicos conduzidos entre a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Esse processo permitiu a definição de protocolo fitossanitário, com a posterior habilitação de plantas industriais brasileiras e a criação das condições necessárias para o início das exportações.
O que é o DDG/DDGS?
O DDG (Distillers Dried Grains) e o DDGS (Distillers Dried Grains with Solubles) são coprodutos da produção de etanol de milho, amplamente utilizados na alimentação animal por seu elevado valor nutricional. O DDG corresponde ao farelo seco obtido após a fermentação do milho, sem a adição dos solúveis, enquanto o DDGS inclui a reincorporação desses solúveis ao produto final, o que aumenta seus teores de proteína, energia e minerais. O produto pode ser utilizado na dieta de bovinos de corte; bovinos de leite; suínos; aves, peixes e animais de companhia (pets).
Unem e ApexBrasil: a colaboração que rendeu bons frutos
Desde 2023, a parceria entre ApexBrasil e UNEM impulsiona a internacionalização do DDG/DDGS. O convênio entre as partes estruturou ações de promoção e de inteligência comercial que viabilizaram as exportações para 25 mercados, apenas em 2025.
Os resultados foram expressivos: entre 2017 e 2025, as exportações de DDG/DDGS saltaram de cerca de 4.400 toneladas para quase 880.000 toneladas. Em 2025, a parceria entre a Unem e ApexBrasil foi renovada com a assinatura de novos acordos durante a inauguração do escritório da ApexBrasil em Cuiabá, integrando um novo pacote de ações voltado à ampliação da competitividade do agronegócio brasileiro para os próximos dois anos.
Empresas associadas à UNEM já realizam os primeiros embarques para a China, sinalizando a capacidade do Brasil de atender a países altamente exigentes com produtos de maior valor agregado.
“A abertura do mercado chinês representa um marco relevante na estratégia de expansão internacional da Inpasa. Trata-se de um passo consistente em nossa trajetória de crescimento global, sustentada por escala industrial, rigorosos padrões de qualidade, segurança e robustez operacional. Levar o DDGS a um dos mercados mais exigentes do mundo reforça nossa capacidade de atender, com confiabilidade e consistência, às demandas de clientes em diferentes regiões”, afirma Gustavo Mariano, vice-presidente de Trading da Inpasa.
“Este primeiro embarque marca a entrada do HPDDG brasileiro no mercado chinês e reforça o potencial do Brasil na exportação de ingredientes de maior valor agregado para nutrição animal. A China é um mercado estratégico, que exige qualidade, escala e confiabilidade – atributos para os quais a FS tem excelência”, afirma Victor Trenti, diretor comercial da FS.
Ampliação e previsibilidade comercial
A entrada da China, principal destino das exportações agroalimentares do Brasil, como consumidora do DDG/DDGS nacional tende a reduzir a concentração das exportações brasileiras em poucos mercados e a ampliar a previsibilidade comercial para as biorrefinarias de etanol de milho. Até então, países como Turquia, Vietnã e Indonésia concentravam a maior parte das compras, enquanto a China permanecia praticamente restrito ao produto norte-americano.
Para o setor, a diversificação dos destinos internacionais fortalece a sustentabilidade econômica da cadeia, amplia o aproveitamento industrial do milho e reforça o papel estratégico do etanol de milho na bioeconomia brasileira.
“A entrada das primeiras cargas de DDG/DDGS brasileiro na China é um marco histórico e amplia o leque de destinos, especialmente neste mercado extremamente promissor, e é resultado de um trabalho conjunto entre o setor público e privado que resultou na abertura do mercado no ano passado. Os coprodutos do milho vêm ganhando escala ao longo dos anos e, desde 2023, abrimos 14 novos mercados para estes produtos. Uma diversificação que ajuda a aumentar as oportunidades para os produtores rurais e empresas do setor, diluir riscos e a reduzir a dependência de poucos compradores. Seguiremos trabalhando em conjunto com a UNEM para avançarmos cada vez mais nos mercados internacionais”, disse Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Guilherme Nolasco, presidente-executivo da UNEM, destaca ainda a importância da adidância agrícola na celebração do novo acordo comercial. “Gostaria de ressaltar o trabalho especial dos adidos na China, Leandro Feijó e Jean Gouhie, por todo empenho e dedicação para que, em tempo recorde, cumpríssemos todo o protocolo e avançássemos nas negociações para a abertura deste importante mercado. A liderança do ministro Carlos Fávaro com a coordenação do Secretário Luis Rua, juntamente com os esforços do setor por meio da UNEM, demonstra que, quando setor privado trabalha em conjunto com o governo, o resultado aparece”, afirmou Nolasco.
A expectativa é que novos embarques ocorram ao longo de 2026, à medida que mais plantas habilitadas avancem nas operações e que o fluxo comercial com a China se consolide. A UNEM acompanha de perto esse movimento e seguirá atuando de forma integrada com seus associados e com o poder público.
Sobre a Unem
A União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) é uma associação de direito privado, de âmbito nacional e sem fins lucrativos, que tem por objetivo promover o acompanhamento e a defesa dos interesses do setor da indústria brasileira de etanol de milho e outros cereais. Criada em 2017, a Unem congrega empresas e entidades que atuam no desenvolvimento de soluções para atender a demanda mundial por fontes de energia limpa, renovável, sustentável e integrada a outros sistemas produtivos, atuando em um círculo virtuoso que vai do campo às cidades.
Sobre a ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira.
Para alcançar seus objetivos, a ApexBrasil realiza missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.
A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.
Assessoria de Comunicação – Unem
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