18.06.26

Fiap 2026: etanol de milho brasileiro é apresentado como tema estratégico para a segurança energética e alimentar global

Produção integrada de energia e alimentos posiciona o Brasil como parceiro estratégico na transição energética

 

O protagonismo do Brasil na produção sustentável de alimentos e energia esteve no centro dos debates do Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap) 2026, realizado nesta quarta-feira (18), na sede do Sistema Famasul, em Campo Grande (MS).

O evento reuniu autoridades, lideranças do agronegócio, representantes do setor produtivo, embaixadores e delegações internacionais para discutir temas estratégicos ligados à segurança alimentar, à transição energética e ao desenvolvimento sustentável.

Entre os destaques da programação esteve o painel “O etanol na agenda de transição energética e a inserção internacional do Brasil”, que contou com a participação da diretora de Relações Internacionais e Comunicação da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Andrea Veríssimo.

Ao apresentar a evolução da cadeia produtiva do etanol de milho no Brasil, Andrea ressaltou que o setor vai muito além da produção de combustível renovável, contribuindo simultaneamente para a segurança energética e para a segurança alimentar, tanto no mercado doméstico quanto internacional. “O agronegócio brasileiro deixou de ser apenas produtor de alimentos e fibras. Hoje, também é produtor de energia, e energia é uma forma de soberania”, afirmou.

DDG impulsiona produtividade e sustentabilidade na pecuária

Durante a apresentação, a diretora destacou a relevância do DDG/DDGS principal coproduto do etanol de milho, utilizado na alimentação animal. Segundo ela, a expansão da produção do coproduto contribuiu para uma importante transformação da pecuária brasileira, especialmente em Mato Grosso.

O insumo tem favorecido a intensificação sustentável da produção, aumentando a lotação animal por hectare e reduzindo a idade de abate dos bovinos. “Todo animal que fica pronto mais rápido come menos, emite menos e gera menos impactos. Isso é sustentabilidade na prática”, explicou.

A executiva ressaltou que o modelo de biorrefinaria adotado pelo setor permite o aproveitamento integral do milho. A partir de uma tonelada do grão, são produzidos etanol, DDG/DDGS, óleo de milho e energia renovável excedente, reforçando os princípios da bioeconomia e da economia circular.

Exportações ganham força e ampliam presença internacional

Andréa também apresentou os avanços do programa de promoção internacional dos coprodutos do etanol de milho, desenvolvido pela UNEM em parceria com a ApexBrasil.

A iniciativa, que promove a marca Brazilian Distillers Grains, busca ampliar a presença brasileira em mercados estratégicos e fortalecer a inserção internacional da cadeia.

Um dos destaques citados foi a abertura do mercado chinês para o DDG/DDGS nacional, oficializada neste ano. Segundo Andréa, o potencial de demanda da China evidencia as oportunidades de expansão das exportações brasileiras.

“A segurança alimentar é uma prioridade estratégica para diversos países. O Brasil tem condições de contribuir significativamente por meio do fornecimento de DDG, um ingrediente de alta qualidade para a nutrição animal”, afirmou.

Além da China, a UNEM vem intensificando ações de promoção comercial em mercados da Ásia e de outras regiões interessadas nos coprodutos brasileiros.

Etanol avança como solução para descarbonização dos transportes

No campo da segurança energética, a executiva da UNEM defendeu que o etanol já é uma solução consolidada para o transporte rodoviário, mas que novas oportunidades estão surgindo nos setores marítimo e aéreo.

Segundo ela, a necessidade global de redução de emissões abre espaço para uma demanda crescente por combustíveis renováveis, incluindo o etanol e o Combustível Sustentável de Aviação (SAF).

Ela ressaltou ainda o reconhecimento recente, por parte da Organização Marítima Internacional (IMO), da baixa intensidade de carbono do etanol de milho brasileiro, fator que fortalece a competitividade do produto nos mercados internacionais.

“Nosso etanol tem características próprias. É produzido a partir de uma segunda safra, dentro de um sistema agrícola tropical altamente eficiente, e isso precisa ser reconhecido pelos mercados internacionais”, observou.

Setor mantém forte expansão e diversifica matérias-primas

Veríssimo também apontou o avanço do uso de outras matérias-primas, como sorgo, trigo e triticale, ampliando as oportunidades para diferentes regiões produtoras e fortalecendo a segurança econômica dos agricultores.

“O produtor precisa ter a confiança de que haverá mercado para sua produção. A expansão das biorrefinarias cria uma demanda firme e previsível para os grãos”, afirmou.

Biocombustíveis fortalecem soberania energética

Ao encerrar sua participação, Andréa relacionou os recentes episódios de instabilidade geopolítica global à importância da diversificação da matriz energética.

Os biocombustíveis representam uma resposta concreta aos desafios energéticos contemporâneos, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e aumentando a resiliência dos países diante de crises internacionais.

“A transição energética deixou de ser apenas uma questão climática. Hoje, também é uma questão de segurança nacional. E o Brasil tem capacidade e interesse em colaborar com a segurança energética e alimentar de diversos países por meio do etanol e dos coprodutos do milho”, concluiu.

 

Assista na íntegra a participação no evento: https://youtu.be/xGGOoz5Ckyg

 

Assessoria de Comunicação – Unem
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