06.11.26

Amaury Pekelman destaca crescimento do etanol de milho e oportunidades de integração com o agronegócio no Fórum Planeta Campo

Presidente-executivo da UNEM participou de painel sobre perspectivas das principais cadeias de biocombustíveis, com destaque para a expansão industrial, os coprodutos e as novas aplicações do bioetanol.

O crescimento do etanol de milho no Brasil e sua contribuição para a integração entre energia, agricultura e produção de proteína animal estiveram entre os temas apresentados por Amaury Pekelman, presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), nesta sexta-feira (6), durante o Fórum Planeta Campo 2026, em São Paulo. O executivo participou do painel 2 – Diagnóstico e perspectivas para as principais cadeias de biocombustíveis, que reuniu discussões sobre o desenvolvimento e as oportunidades do setor.

Em sua apresentação, intitulada Bioetanol de milho: crescimento, integração produtiva e oportunidades para o agro, Amaury destacou a dimensão alcançada pela atividade no país. Na safra 2025/26, o etanol de milho respondeu por aproximadamente 30% da produção nacional de bioetanol. A expansão também se reflete na estrutura industrial: são 29 biorrefinarias em operação, 13 com autorização de construção e outras 14 projetadas ou programadas.

A evolução da produção de milho no Brasil é um dos fatores que sustentam esse crescimento. A produção nacional passou de 57,23 milhões de toneladas na safra 2010/11 para uma projeção de 144,66 milhões de toneladas em 2026/27, aumento de aproximadamente 153% no período. Nesse cenário, a indústria de etanol de milho estabelece uma nova frente de agregação de valor à produção agrícola, ampliando as possibilidades de aproveitamento da matéria-prima.

Outro aspecto abordado foi a integração entre energia e alimentos. A produção de etanol utiliza principalmente grãos da segunda safra, cultivados após a soja, aproveitando a dinâmica produtiva das lavouras brasileiras. Além do biocombustível, as biorrefinarias produzem DDG e DDGS, ingredientes destinados à nutrição animal, que conectam a indústria de etanol às cadeias de produção de proteína.

O crescimento dos coprodutos acompanha a expansão industrial. A produção brasileira de DDG e DDGS passou de 530 mil toneladas na safra 2018/19 para uma projeção de 5,71 milhões de toneladas em 2026/27. O avanço amplia a disponibilidade de ingredientes para a pecuária e reforça a integração entre agricultura, indústria e produção animal.

Novas aplicações e mercados

A apresentação também abordou oportunidades que podem ampliar a participação do etanol de milho na transição energética, especialmente nos segmentos de aviação e transporte marítimo.

No mercado de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), o bioetanol de milho é uma matéria-prima elegível para a rota ATJ (Alcohol-to-Jet), enquanto o óleo técnico de milho pode ser utilizado na rota HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids). As duas alternativas representam possibilidades de aproveitamento dos produtos das biorrefinarias em novos mercados de combustíveis de menor intensidade de carbono.

No transporte marítimo, o biocombustível também surge como uma alternativa para a descarbonização do setor. A apresentação destacou o desenvolvimento de tecnologias para motores adaptados e sistemas dual-fuel, além do interesse de armadores em testar e adotar o etanol como combustível. A Organização Marítima Internacional (IMO) já reconheceu os parâmetros de carbono do etanol de milho brasileiro.

Competitividade para sustentar a expansão

Ao abordar as perspectivas para os próximos anos, Amaury ressaltou que a continuidade do crescimento depende de condições que favoreçam novos investimentos e ampliem a competitividade da cadeia. Entre os pontos destacados estão a previsibilidade regulatória, a infraestrutura logística, o acesso a mercados e o desenvolvimento de novas aplicações para o biocombustível e seus coprodutos.

A participação da UNEM no Fórum Planeta Campo reforça a importância de inserir o etanol de milho nas discussões sobre o futuro dos biocombustíveis brasileiros, considerando não apenas sua contribuição para a matriz energética, mas também sua capacidade de integrar diferentes atividades do agronegócio, gerar valor à produção agrícola e criar oportunidades de desenvolvimento nas regiões produtoras.

 

Assessoria de Comunicação – UNEM

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