03.07.26

Ministério da Agricultura e Pecuária avança na padronização do produto de biorrefinaria de milho e cereais amiláceos

 

Nova regulamentação, construída em parceria entre o setor produtivo, especialistas e o MAPA, estabelece referências técnicas para os produtos de biorrefinarias e amplia a transparência nas relações comerciais

 

 

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) aprovou ontem (2) a Portaria que estabelece o padrão de identidade e qualidade dos produtos provenientes das biorrefinarias de milho e de outros cereais amiláceos destinados à nutrição animal. A iniciativa representa um avanço para a cadeia brasileira do etanol de milho ao criar critérios técnicos para classificação, composição, controle de qualidade, comercialização e rotulagem desses produtos.

A norma contempla produtos como:

I – WF – fibra úmida: fibra úmida separada do grão antes da fermentação;

II – DF – fibra seca: fibra seca separada do grão antes da fermentação;

III – WFS – fibra úmida com solúveis: fibra úmida separada do grão antes da fermentação, com adição de sólidos solúveis;

IV – DFS – fibra seca com solúveis: fibra seca separada do grão antes da fermentação, com adição de sólidos solúveis;

V – WDG – grãos úmidos de biorrefinaria: grãos úmidos de biorrefinaria obtidos após o processamento do grão, sem adição de sólidos solúveis e remoção parcial do óleo;

VI – WDGS – grãos úmidos de biorrefinaria com solúveis: grãos úmidos de biorrefinaria obtidos após o processamento do grão, devendo conter sólidos solúveis e remoção parcial do óleo;

VII – DDG – grãos secos de biorrefinaria: grãos secos de biorrefinaria, sem adição de sólidos solúveis, resultantes da secagem do WDG, após o processamento do grão, com ou sem fermentação, podendo ter remoção parcial do óleo;

VIII – HPDDG – grãos secos de biorrefinaria com alto teor de proteína: grãos secos de biorrefinaria, com porção de fibra e de óleo removidos de forma a concentrar a proporção de proteína, não contendo sólidos solúveis adicionados no processo;

IX – DDGS – grãos secos de biorrefinaria com solúveis: grãos secos de biorrefinaria com adição de sólidos solúveis e remoção parcial do óleo;

X – DDGS alto teor de óleo – grãos secos de biorrefinaria com solúveis e alto em óleo: grãos secos de biorrefinaria com adição de sólidos solúveis concentrados e sem remoção de óleo;

XI – DDGS baixo teor de óleo – grãos secos de biorrefinaria com solúveis e baixo em óleo: grãos secos de biorrefinaria com adição de sólidos solúveis concentrados e óleo extraído por processos físicos;

XII – CDS (syrup) – solúveis concentrados de biorrefinaria (xarope): sólidos solúveis de biorrefinaria por processo de evaporação, após fermentação e destilação; e

XIII – CFP (proteína fermentada de cereais): resultado da separação pós destilação das proteínas contidas na vinhaça, mediante processos físicos ou químicos, podendo haver a adição de sólidos solúveis concentrados no produto, estabelecendo parâmetros mínimos de qualidade e procedimentos para classificação, fiscalização e amostragem.

Na prática, a Portaria cria uma linguagem técnica comum para toda a cadeia. Com critérios objetivos para cada categoria de produto, produtores, compradores e indústrias passam a contar com referências claras sobre composição e qualidade, reduzindo divergências comerciais e trazendo maior previsibilidade às negociações no mercado interno e externo.

Construção coletiva

Um dos principais diferenciais da regulamentação foi a forma como ela foi elaborada. Ao longo dos últimos anos, o MAPA conduziu um processo de construção conjunta com a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), empresas do setor e especialistas, buscando compreender as características dos coprodutos e a realidade operacional das biorrefinarias brasileiras.

Além de reuniões técnicas e visitas às unidades industriais, a proposta passou por consulta pública, permitindo que o texto fosse aperfeiçoado a partir das contribuições das empresas e demais participantes da cadeia produtiva. A UNEM participou ativamente desse processo por meio de seu Comitê de Coprodutos, reunindo representantes das associadas e especialistas para discutir os parâmetros técnicos da futura regulamentação.

Outro aspecto importante foi a utilização de referências internacionais já consolidadas. O trabalho considerou a experiência dos Estados Unidos, maior produtor e exportador mundial de coprodutos do etanol de milho, adaptando os parâmetros à realidade brasileira sem perder o alinhamento com práticas reconhecidas pelo mercado internacional.

“Conforme mencionado acima, são diversos os produtos originados pelas indústrias de etanol de milho com potencial para a alimentação animal. Entretanto, os produtos diferem em composição química e em valor nutricional. Esses fatos enfatizam a importância da correta caracterização e nomenclatura de cada um deles, com o objetivo de nortear as decisões dos nutricionistas para o uso o mais preciso possível na formulação de dietas para animais ruminantes e não ruminantes”, afirmou Flávio Portela, professor do departamento de Zootecnia ESALQ/ USP.

Mais clareza para o mercado

A definição de critérios oficiais oferece maior clareza sobre os níveis mínimos, máximos e garantidos de cada produto, criando referências comuns para toda a cadeia. Isso aumenta a transparência das negociações, facilita o acesso a novos mercados e fortalece a confiança de compradores e consumidores na qualidade dos coprodutos brasileiros.

Ao mesmo tempo, a harmonização dos padrões aproxima o Brasil das principais referências internacionais e reforça a competitividade dos Brazilian Distillers Grains no mercado global de nutrição animal.

“Essa regulamentação representa um importante avanço e reconhece a maturidade da indústria brasileira de etanol de milho. Foi resultado de um trabalho técnico construído em conjunto entre o setor produtivo e o poder público, com certeza fortalece a credibilidade da cadeia, amplia a segurança nas relações comerciais e cria condições para expandir a presença dos coprodutos brasileiros nos mercados mais exigentes. Na ALD Bioenergia, entendemos que esse é um marco para o desenvolvimento sustentável e competitivo do setor”, afirmou Marco Ozorimbo, diretor-executivo da ALD Energia.

“A publicação dessa Portaria representa um marco importante para o setor de etanol de milho. A definição de padrões oficiais de identidade e qualidade traz mais transparência, segurança jurídica e previsibilidade para toda a cadeia, além de valorizar os coprodutos de maior qualidade produzidos no Brasil. Para a São Martinho, essa regulamentação fortalece nossa competitividade, facilita o relacionamento com clientes nacionais e internacionais e contribui para ampliar as oportunidades de exportação dos coprodutos brasileiros”, acrescentou Guilherme Martins, especialista comercial da São Martinho.

“A padronização do DDG pelo MAPA representa um avanço estratégico para a nutrição animal no Brasil. Ao estabelecer critérios oficiais de identidade e qualidade, a nova regulamentação proporciona mais segurança para produtores, nutricionistas e pecuaristas, além de aumentar a confiança do mercado na utilização desses ingredientes. Com produtos padronizados, o Brasil fortalece sua competitividade, amplia as oportunidades de exportação e estimula investimentos em coprodutos de maior valor agregado. Em um mercado cada vez mais exigente, padronização significa confiança, e confiança gera crescimento sustentável para toda a cadeia da nutrição animal”, disse Tiago Stefanello, presidente do conselho administrativo da Evermat.

“A padronização ajuda a consolidar referências de qualidade para o setor e reduz assimetrias técnicas em um mercado que cresceu rapidamente nos últimos anos. Esse movimento também pode contribuir para ampliar oportunidades comerciais para os ingredientes produzidos pelas biorrefinarias brasileiras. A definição de parâmetros oficiais acompanha critérios de qualidade, padronização e desenvolvimento técnico que a FS já adotava em seus processos industriais. Esse movimento ajuda a consolidar referências importantes para a cadeia brasileira de nutrição animal e contribui para ampliar a previsibilidade do mercado”, afirma Victor Trenti, diretor Comercial da FS.

“A Portaria traz mais segurança técnica para toda a cadeia ao estabelecer critérios oficiais de identidade e qualidade para os coprodutos das biorrefinarias. Na prática, isso fortalece o controle de qualidade, amplia a clareza nas especificações e aumenta a confiança nas relações comerciais, tanto no mercado brasileiro quanto no internacional”, afirma Natiele Nicolodigerente de Qualidade da Inpasa.

“A Neomille tem orgulho de participar da construção dos critérios técnicos para a classificação dos coprodutos da indústria brasileira de etanol de milho. Essa regulamentação estabelece um importante marco para o setor, promovendo maior padronização, transparência e suporte à tomada de decisão de produtores, indústrias e consumidores de Distillers Grains no Brasil”, finalizou Henrique Nogueira, especialista da CerradinhoBio.

União Nacional de Etanol de Milho (UNEM) destaca ainda a condução participativa do MAPA durante todo o processo de elaboração da norma. Construída em diálogo com o setor produtivo, a regulamentação reflete a realidade da indústria brasileira e representa um passo importante para o fortalecimento da cadeia do etanol de milho e de seus coprodutos. Após a apresentação oficial, a entidade seguirá acompanhando os desdobramentos da norma para as biorrefinarias e para toda a cadeia de produção de biocombustíveis e nutrição animal.

 

Assessoria de Comunicação – Unem
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