22.07.2025

Etanol de milho ganha protagonismo e impulsiona segurança energética no Brasil

Em entrevista à TV BE News, presidente da Unem destaca os avanços, os desafios e o papel estratégico do etanol de milho no cenário energético nacional, impulsionado pela oficialização do E30 e do B15 no programa Combustível do Futuro

Nos últimos anos, o etanol de milho deixou de ser uma aposta e tornou-se uma realidade estratégica no setor energético brasileiro. Em entrevista concedida à TV BE News, o presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, explicou como o setor vem crescendo com força, alicerçado por investimentos robustos, avanços regulatórios e sinergias com outras cadeias produtivas.

A seguir, os principais trechos da entrevista no formato pingue-pongue:

Como o milho se consolidou como matéria-prima para o etanol no Brasil?
O milho se consolidou por ser uma cultura de segunda safra, integrada à soja, que garante oferta constante de biomassa. Isso criou um ambiente propício para a expansão rápida do setor. Em dez anos, saímos de uma produção quase inexistente para um quarto do etanol produzido no Brasil. A cada quatro litros de etanol no mercado, um já é de milho.

Qual é o potencial de crescimento desse setor?
Temos uma capacidade instalada de 10 bilhões de litros, com possibilidade de dobrar para mais de 20 bilhões até 2030. Já temos cerca de 12 usinas em construção ou ampliação e outras 4 se movimentando. Mas esse crescimento exige responsabilidade: não podemos ter mais produção que demanda, nem criar demanda sem escala produtiva.

Quais desafios o setor enfrenta neste momento?
O maior desafio é equilibrar crescimento de produção e crescimento da demanda. Precisamos alinhar inteligência de mercado, análise de cenários e capacidade de investimento. Juros altos, instabilidades políticas e custo de captação afetam os investimentos. Mas temos potencial para superar isso.

O Brasil tem condições de expandir a produção sem ameaçar outras cadeias?
Sim. Temos uma supersafra de milho e capacidade de exportar mais de 40 milhões de toneladas, o dobro do que o setor de etanol consome. Há também uma grande área de pastagens de baixa produtividade que está sendo convertida em lavouras, sem necessidade de abrir novas áreas.

Existe uma competição entre o etanol de cana e o de milho?
Não. Existe sinergia. O etanol de milho trouxe produção linear ao longo do ano, reduzindo o impacto da entressafra da cana. Isso evitou oscilações de preço e garantiu produto para o consumidor. Além disso, usinas de cana agora conseguem operar também com milho, otimizando seus investimentos.

E quanto ao mercado internacional de açúcar e o papel do milho nisso?
O milho ajudou o setor sucroenergético a aproveitar a alta do preço do açúcar. Como o milho assumiu parte da demanda por etanol, as usinas puderam redirecionar sua cana para a produção de açúcar, aumentando sua rentabilidade.

Como o senhor define a relação entre os dois tipos de etanol?
É uma relação complementar. A molécula final é a mesma. O consumidor não sabe se está abastecendo com etanol de cana ou milho. Cada um tem seu ciclo de vida, seus desafios e vantagens. Estamos todos juntos no mesmo setor, trabalhando pela mesma agenda: energia limpa e segura para o Brasil.

Serviço
Assista à entrevista completa pelo canal do YouTuybe da TV BE News.